domingo, 18 de outubro de 2009

TIC´s Na Responsabilidade Social

Sem dúvida alguma, as tecnologias de informação e comunicação vêm revolucionando a forma como o indivíduo se relaciona com o ato de aprender e gerar conhecimento. Décadas atrás, quando a digitalização de materiais estava mais presente nas organizações profissionais e menos nas instituições escolares, a elaboração mental sobre os vários assuntos seguia referências lineares (muitas vezes, desatualizadas), priorizando a disseminação de conhecimentos reconhecidos por especialistas e aceitos pela sociedade “comum”. Esse processo ocorria em detrimento da capacidade individual de se pensar coisas novas, elaborar e testar hipóteses e, depois, socializar os resultados baseados não, necessariamente, na opinião técnica, mas no conhecimento tácito, na experimentação, no subjetivismo.

Com a entrada das TIC´s nos meios escolares e sua expansão nos meios corporativos, a aprendizagem pode partir tanto do indivíduo para o grupo como deste para o indivíduo, independentemente de validação e reconhecimento de terceiros. Esta aprendizagem recíproca e em massa, algumas vezes, é passível de controvérsias, mas os resultados estão aí, como Wikipédia, YouTube, Second Life, Linux, dentre outros. O Projeto Genoma Humano, iniciado em 1987, é um exemplo incontestável de pesquisa e aprendizagem colaborativas, que contou com o envolvimento de diversos laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo e deu origem ao Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma Humano. Na área empresarial, temos a InnoCentive que, criada em 2001, opera como um marketplace, que conecta corporações, cientistas e organizações em pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de encontrarem soluções inovadoras para desafios complexos envolvendo todos os setores da economia.

A sintonia em rede, que se estabelece na era digital, aponta para o conectivismo, um modelo de aprendizagem que, em linhas gerais, se diferencia das teorias cognitivas tradicionais por levar em conta a movimentação do indivíduo pelas várias áreas do conhecimento e o modo como reage quando faz uso de uma nova ferramenta tecnológica, que nasce a partir da interação homem-máquina. No conectivismo, o indivíduo aprende ao integrar suas competências e habilidades naturais à necessidade premente de dominar os produtos online gerados pelas várias tecnologias que se lhe apresentam freqüentemente - as comunidades virtuais de aprendizagem, de prática ou as redes de relacionamentos são exemplos disso.

Participando delas, aprende-se a se organizar no caos das informações hiperlinkadas, constantemente renovadas e reavaliadas por uma infinidade de colaboradores que podem ser, eventualmente, especialistas. Nesse contexto, a aprendizagem se dá com base na elaboração de mapas mentais, nos quais um ou mais conceitos-chave são melhores compreendidos a partir da interrelação entre os vários temas ou itens que os compõem. Desta forma, aprende-se, também, a fazer a gestão do conhecimento, identificando e reunindo pessoas e bases de dados compatíveis com o que buscamos aprender.

Na aprendizagem conectivista, novas informações são continuamente adquiridas por meio de dispositivos digitais, e saber manipulá-los é parte indissociável da lição de casa para que o fluxo das informações e de conhecimentos seja mantido.